No próximo dia 18 de abril de 2025 “O Livro dos Espíritos” (OLE) completa 168 anos. Dessa forma, o Grupo ECK destaca mais uma vez a obra que inaugurou a Doutrina dos Espíritos.
Como afirmou o professor Herculano Pires, na sua Introdução de OLE, na edição comemorativa dos 100 anos da editora Lake, sobre esse livro se ergue todo um edifício: o da Doutrina Espírita:
“Ele é a pedra fundamental do Espiritismo, o seu marco inicial. O Espiritismo surgiu com ele e com ele se propagou, com ele se impôs e se consolidou no mundo. Antes deste livro não havia Espiritismo, e nem mesmo esta palavra existia. Falava-se em Espiritualismo e Neo-Espiritualismo, de maneira geral, vaga e nebulosa. Os fatos espíritas, que sempre existiram, eram interpretados das mais diversas maneiras. Mas, depois que Allan Kardec o lançou à publicidade, “contendo os princípios da Doutrina Espírita”, uma nova luz brilhou nos horizontes mentais do mundo.”
Para comemorar esta data, o Grupo ECK lança a ação editorial Encontros com “O Livro dos Espíritos”. Nela, nossos leitores e seguidores poderão se manifestar e contar como se deu o (primeiro) encontro com a obra basilar do Espiritismo. É um importante registro e uma marcante homenagem que fazemos a Allan Kardec.
Então, convidamos você a descrever uma história, uma curiosidade, os sentimentos e as reflexões advindas desse encontro com o livro. Nosso objetivo é termos um painel sobre a importância de OLE na vida das pessoas.
Você pode, para tanto, usar o campo abaixo de comentários. Mas, caso você queira descrever a sua vivência em mais de uma lauda, pedimos que nos envie sua contribuição (em “word”) para o e-mail contato@comkardec.net.br para que a mesma seja analisada e publicada em formato de post no Portal ECK.
Entendemos que o mais importante nesta ação é reunir esse arcabouço de vivências, por meio de livre participação, comemorando, assim, mais essa data alusiva à obra pioneira.
Fale, conte, sinta, rememore para o ECK como foi o seu Encontro com “O Livro dos Espíritos”
Foto: Filme “Kardec: A história por trás do nome”, de Wagner de Assis
Meu encontro com o “O Livro dos Espíritos” virou um texto publicado na Revista Harmonia, mas vou contar brevemente neste espaço.
Em 2002, recém chegado em Blumenau passava por uma fase difícil.
Eu, Cris e a minha primeira filha, ainda pequena, procuramos um local para recomeçar, como se isso fosse possível.
A ideia era ver novas paisagens, ter novos amigos, encontrar novas oportunidades; mas algo embarcou na mudança de São Paulo para o Sul: crises de ansiedade e a tão temida síndrome do pânico, que me consumia lentamente. De repente, surgiu um abismo: o mundo ficou mais vazio, tudo era inútil diante do nada que invadia como bruma meus dias e noites.
Encolhido nos cantos, a Cris entra no quarto e joga “O livro dos Espíritos” em minha direção: “Somente leia”.
Foram dias e noites com o corpo trêmulo, ardendo em febres inexistentes, a ranger dentes a cada questão de Kardec e às respostas dos espíritos.
A Inexistência da morte, a imortalidade do espírito, que somos donos de nosso destino, que podemos começar hoje, ou a cada manhã, as múltiplas existências, a força existente no propósito da vida, a conexão entre o material e o espiritual, o universo povoado por seres inteligentes da criação, bons e em aprendizados.
Tudo ali era fonte em que eu tentava saciar minha sede de sentido, acalmar meu desespero. Dias e noites com direito a alguns insights durante a leitura, um sonho, um cochilo entre os capítulos, talvez, eu fora do corpo sobrevoando o quintal: algo novo surgia dentro de mim, advindo da necessidade de crer, mas também de saber.
De forma resumida foi assim o meu encontro com o OLE; se você quiser ler inteiro o depoimento, acesse a Revista Harmonia – Especial O Livro dos Espíritos no link abaixo:
https://www.comkardec.net.br/category/harmonia-abril-de-2021/
Quando me deparei, pela primeira vez, com O Livro dos Espíritos, ele encontrou um jovem de 17 anos—velho para certas inquietações, mas ainda novo para tantas respostas. Tímido, ansioso, de humor instável—ora risos, ora lágrimas—pensamentos inquietantes me assaltavam.
Não entendia por que um garoto, cercado por pais amorosos, irmãs e uma família maravilhosa, sentia-se tão angustiado, tão deslocado no mundo, a ponto de pensar em suicídio. Sentia uma saudade incrível, um vazio que não sabia de quê, nem por quê, muito menos como preenchê-lo, já que, aos olhos de todos, minha vida era perfeita.
O hábito da leitura levou-me à banca de revistas e livros do velho Armando, um espírita que me vendeu um título até então desconhecido. Na capa, lia-se: O Livro dos Espíritos. Eufórico, ainda de pé no ônibus lotado, li: “Que é Deus…”
O restante, perdoem-me a discrição, meus amigos, mas vocês já sabem. Assim foi meu primeiro encontro com O Livro dos Espíritos—ou melhor, assim foi como O Livro dos Espíritos me encontrou.
Conheci O Livro dos Espíritos já madura, embora achasse que já sabia muita coisa , pois aos quinze anos já tinha lido um livro muito famoso no meio espírita, pensava eu ser um bom começo, mas não foi bem assim. Ainda bem! Cheguei na casa espírita pela dor como a maioria se referia , mas não foi só a dor, havia uma vontade de saber , uma curiosidade imensa. Ao ler pela primeira vez O Livro dos Espíritos, foi como desvendar um novo mundo, como se ouvisse a Sinfonia número 9 de Dvorák (Sinfonia do Novo Mundo); a maneira como foi escrito em perguntas e respostas, facilitava a busca. E essa busca continua, tantas perguntas que fazemos ao longo do tempo, o entendimento que vai se ampliando a cada consulta ( foram e são muitas ). Respostas ainda não tenho muitas, mas a angústia de buscá-las me mantém alerta e com vontade de aprender mais, entender mais. O encontro com O Livro dos Espíritos me trouxe uma sensação de conforto , de trilhar o caminho certo, a mesma sensação da primeira cartilha ao ser alfabetizada. E isso me faz recordar Nelson Rodriguez, grande dramaturgo que dizia que devíamos ler os clássicos e revisitá-los ao longo da vida .
Eu vou como redescobri o Livro dos Espíritos,
Foi no curso de Orador/expositor espírita.
Depois de anos de curso de doutrina no centro espírita, percebi que não conhecia do OLE.
Neste curso, montando aulas pra apresentar, fui me apaixonando e percebendo o quanto era importante ler, estudar e compreender essa obra para poder passar os ensinamentos sem tanta interferência.
A cada questão fui me despindo de conceitos que nada tinha a ver com a Doutrina, me senti mais segura pra repassar esse conhecimento
E o melhor de tudo, ser uma pessoa melhor e feliz, ao mesmo tempo preocupada em o quanto amigos e familiares estão equivocados.
O conhecimento liberta!
Era 1981. E era dezembro. O calor começava a apontar em terras catarinenses. Naquele ano eu tinha me cansado da falta de explicações razoáveis sobre as perguntas que fazia a um querido e jovem sacerdote franciscano, recebendo apenas a resposta: – Ah, isso é um mistério, meu filho! Tinha dito em casa que não iria mais à (tradicional) Igreja de Santo Antônio de Pádua, bem no coração da Ilha de Santa Catarina, Florianópolis.
Minha saudosa mãe, olhando fixamente em meus olhos, disse: – Mas você precisa ter uma religião, meu filho. Escolha uma delas e nós te acompanharemos. Já estava, eu, de férias e nós tínhamos por hábito, no frescor da noite que chegava, dar um passeio pelas ruas do bairro em que tínhamos ido morar, no meio do ano anterior. Víamos lotes, casas em construção, pequenos comércios, quase todos fechados, numa rotina de praticamente quarenta e cinco anos atrás. Num desses passeios, vimos um letreiro “Centro Espírita Tereza de Jesus”, num terreno bem grande, onde havia, também, um asilo, o “Lar dos Velhinhos de Zulma”. Como era domingo, o Centro estava fechado, mas havia uma pequena tabuleta com os horários de atividades. Logo no dia seguinte, havia uma sessão de “palestras e passes”, às 20h. Com uns quarenta minutos de antecedência, chegamos e, como a porta estava aberta e o ambiente iluminado, com outras pessoas entrando, também resolvemos adentrar.
Sentamos, e, numa das portas, fechada na ocasião, havia um cartaz feito à mão, convidando para um grupo de estudo sistematizado da Doutrina Espírita. E um bilhete, menor, dizendo que as atividades retornariam em primeiro de fevereiro.
Fomos nos ambientando, ouvindo as palestras. De vez em quando minha mãe comprava um ou outro livro, geralmente sugerido pelo orador da noite ou por um dirigente. Dentre eles, figuravam exemplares das obras fundamentais e, especificamente, “O livro dos Espíritos” (OLE). Mas não foi em casa meu primeiro contato com ele.
Chegou fevereiro e lá estávamos nós, em quatro pessoas da família, para participar do estudo. Fomos recebidos com muito carinho e dedicação pelo Coordenador, Sr. João Nunes – uma pessoa carismática e muito alegre que, depois, foi quem me “iniciou” nas palestras, como já destaquei em um artigo no ECK. Minha primeira exposição pública foi no ano de 1982, com treze anos de idade, acompanhando o “seo” João, que dividiu comigo o tempo de fala: meus primeiros quinze minutos como “orador espírita”.
Antes disso, naquele fevereiro de 1982, os estudos eram sobre as perguntas e respostas de OLE, que eram lidas alternadamente por todos os presentes, uma para cada participante, e era possível expressar o que cada um tinha entendido, anexar exemplos de vida ou referências de outras leituras. Era um estudo “gostoso”, inclusivo, isonômico e sem qualquer autoridade. Se bem me recordo, iniciei meus estudos pelo Capítulo IX, isto é, as “Intervenções dos Espíritos no Mundo Corpóreo”. Nada mais oportuno, porque cada um de nós sentia a presença espiritual e sabia de “forças” (até então, para nós, sobrenaturais) atuando sobre os “vivos”.
Na reunião seguinte, todos nós já tínhamos um exemplar do livro em mãos, ainda com aquela conhecida capa da Editora FEB, com o “Kardec colorido”, sendo uma cor para cada livro. O OLE era amarelo escuro, queimado, quase um ferrugem.
O “novo amigo” passou a ser companheiro, não apenas das quartas-feiras à noite, na reunião de estudos do “Tereza”, mas de todos os dias. Passei a ler desde o início e usar o lápis para destacar uma ou outra afirmação ou palavra. E, é bom destacar, diante da linguagem mais rebuscada, clássica e de uma tradução que já tinha mais de cinquenta anos (as primeiras traduções, em edições FEB, da lavra de Guillon Ribeiro, datam do final da década de 1930, início da de 1940). Também fiz alguns apontamentos, de ideias que surgiam nos estudos em grupo, a partir de observações de outras expressões espíritas (da vasta obra de Kardec) feitas pelo “Seo” João ou pelos colegas mais experientes.
Devo dizer que OLE deixou uma marca profunda em mim, sobretudo a partir do conteúdo da resposta ao item 459, acerca da influência dos Espíritos nos nossos atos da existência. Devo dizer que, com um avô espírita já desencarnado quando daquele primeiro “passeio” pelo bairro em que divisamos a casa branca com letreiros azuis e o nome da instituição, o “Seo” Gerenaldo, pai de mamãe, deve ter dado uma forcinha. Ele e outros amigos espirituais, inclusive os que me acompanham até hoje em dia.
Foi a influência invisível, muda (em vozes humanas), mas fortemente presente, com afeto e desejo de instrução, que me levou a ter OLE em mãos e iniciar, ali, uma trajetória que está próxima de 45 anos de atuação. Devo o que sou hoje, não só como espírita, mas como homem, a este livro de capa com o Kardec amarelo-queimado, o fascínio por conhecer e me aprofundar nos Ensinos dos Espíritos!