Socialismo Espiritual: o Socialismo Progressista dos Espíritas, por Marcelo Henrique

Tempo de leitura: 10 minutos

Marcelo Henrique

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Se tivermos grupos espíritas construindo ações efetivas de esclarecimento, amor mútuo, atuação social e educação de consciências, não temos dúvidas de que estaremos praticando o SOCIALISMO ESPIRITUAL (presente nas obras de Kardec, Denis, Pires, Porteiro e Mariotti). Grupos politizados, no sentido de atuar politicamente na transformação e no progresso das instituições sociais e, numa só palavra, empunhando pacificamente (mas não sem lutas de implementação) a bandeira do socialismo progressista (que, neste caso, será sinônimo natural do mencionado socialismo espiritual).

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Existem muitas pessoas que têm medo daquilo que não conhecem, fruto do próprio processo de despertamento de cada individualidade, que a Filosofia Espírita chama de trajetória progressiva (expressão característica da Lei do Progresso, inserta na terceira parte de “O livro dos Espíritos”). Por desconhecer o que é, como se aplica, quais seus contornos, que consequências produz nos planos individual e coletivo, a reação (natural, para o patamar em que o Espírito ora se encontra), melhor é repelir e se posicionar contrariamente, sem qualquer espaço para maturação (seja de ideias, seja de experiências).

E há aquelas que, mesmo conhecendo os princípios e fundamentos de uma proposta filosófica ou teórica, de pronto se posicionam em completa oposição, uma vez que partilham de ideologias contrárias, as quais se baseiam em postulados distintos daqueles. Isso ocorre na religião, na educação, na atividade empresarial, nos esportes (principalmente no futebol) e na política, para ficarmos nos contextos mais relevantes da existência. Negar, portanto, é uma posição de autodefesa daquilo em que se acredita e, não raro, em elementos que fazem, desde as idades iniciais, parte da formação sociocultural humana.

No contexto científico, a existência de teses comporta, de maneira prospectiva e consequente, a apresentação de antíteses, isto é, contrapontos à ideia original ou contestações de seus elementos fundantes. O resultado desta discussão – que tem sede num locus apropriado, isto é, o ambiente acadêmico-científico – é a síntese. Em diversificadas situações e contextos, dentro de cada ramo da Ciência, a síntese é um processo de longa maturação, importando na apresentação (e defesa, para validação) de muitos trabalhos. Assim, na esteira do conhecimento, artigos científicos são publicados em qualificados periódicos (Revistas e Journals), além de serem submetidos aos pares (outros cientistas) em dois cenários característicos: as universidades, com a defesa das Teses de Doutorado e nos eventos acadêmico-científicos, sendo apreciados por profissionais e especialistas com, no mínimo, a mesma gradação universitária ou superior àquela dos autores. Este é um procedimento validado, então, pela Ciência e pelos seus subscritores, membros de entidades oficiais e reconhecidas.

Mas há cenários em que a práxis é que compõe o ambiente de maturação das ideias. Um deles é a sociedade, as comunidades organizadas, compondo na atual conformação planetária, os Estados (países). E como são necessários homens para implementar as ideias, os sistemas políticos planejam e executam ações governamentais que alcançam tanto o universo coletivo quanto a vida individual de pessoas e empreendimentos. E provocam/impõem reflexos (resultados) em uns e em outros, na vigência da ordem jurídica de cada lugar, na forma de normas que são impostas a todos.

Obviamente que, quanto mais desenvolvido for o sistema e a sociedade, mais democrático e participativo será o processo de adoção de ideias políticas, correlacionadas à gestão pública de pessoas e organizações. E analisando a progressividade temporal do planeta, sem qualquer sombra de dúvida, considerando a grande maioria das nações da atualidade, os sistemas democráticos estão consolidados e a renovação dos quadros políticos, executivo e legislativo, permitem a alternância de ideologias, submetidas, sempre ao sufrágio popular.

Assim, experiências bem ou mal sucedidas se repetem e há tempos “melhores” ou “piores” para os países e suas coletividades. Épocas de fartura e de miséria. De avanços e retrocessos. De lucros e de inflação. Ciclicamente. Os fatores desencadeadores destes “dois lados da moeda” estão nas escolhas locais – ações políticas dos governos dos países – ou de conjunturas internacionais, em fatores humanos e não-humanos. Lembremos, por exemplo, da pandemia do coronavírus, assim como de uma variação financeira em bolsas de valores, uma guerra regional ou mundial, a imposição de restrições ou taxações de importações/exportações por um Estado, fatores climáticos, todos simbolizando situações que, com ou sem a participação humana direta, haverá efeitos ou consequências para serem equacionados.

Tudo isso para chegarmos ao tema do Socialismo. Muito falado e tão pouco estudado. E, também, vinculado a experiências malsucedidas na história da Humanidade, implantadas por governos despóticos e tiranos. Mas o que é o Socialismo? Em palavras mais simples, caracteriza uma filosofia, que é social, política e econômica, erguida sobre a ideia de que, em relação aos meios de produção, a propriedade seja social, ou coletiva. Ou seja, há a superioridade de uma autoridade coletiva (estatal), com um poder central responsável pela unificação e pela centralização da economia.

O Socialismo surge no século XIX, como uma crítica filosófico-científica ao Capitalismo, sobretudo em face do crescente empobrecimento dos indivíduos (proletariado) e o aumento de desigualdades sociais. Seu objetivo seria o alcance da igualdade plena de oportunidades entre os indivíduos, mas sem esquecer da necessária equidade, para a superação de quaisquer diferenças existentes entre aqueles (em função da idade, condição de saúde, condição econômica, etc.).

Não existe um único Socialismo. Os estudiosos e especialistas apontam para a existência de, pelo menos, oito concepções teórico ou teórico-práticas do socialismo: utópico, de Estado, cristão, marxista, comunismo, anarquismo, revisionismo e sindicalismo. Não é objetivo deste artigo traçar paralelos entre eles ou estabelecer diferenças conceituais ou práticas. A ideia motriz é sugerir, aos que desejem saber mais a respeito, que não há uma única concepção, tradução ou conceituação do termo socialismo.

A confusão mais generalizada que se faz em relação ao Socialismo é vincula-lo, exclusivamente, ao Comunismo (e as experiências de Estados comunistas como a extinta URSS, China, Coreia do Norte e Cuba, para ficarmos nos principais. E, deste modo, qualquer apresentação de teses socialistas ou de defesa de um modelo “diferente” em relação ao capitalismo em vigor no planeta, significa, para as lentes apressadas, a implementação de um regime social de Estado, com restrição completa de liberdades e imposição de regras forçadas aos cidadãos, sem democracia e sem direitos políticos.

Trazer este tema para a esfera espírita pressupõe, por isso, não uma postura rasa de escolha entre partidos políticos, mas de definição de novos paradigmas capazes de buscar – como intenta a Filosofia Espírita – um status de justiça social verdadeira, com liberdade, igualdade (equidade) e fraternidade (aliás, os paradigmas da Revolução Francesa – 1789). Folheando, estudando e entendendo os pressupostos espíritas presentes em toda a obra de Allan Kardec, outro não é o objetivo das individualidades e coletividades, podendo ser utilizado o adágio poético atribuído a Yeshua, qual seja a “implantação do reino (de Deus) na Terra”.

Passados quase cento e setenta anos após esses dias primeiros, o planeta segue envolto em seu próprio progresso, que resulta dos progressos individual e social, inclusive para lutar contra tentativas de minimização dos ideais que embasam Estados Democráticos, que volta e meia aparecem como propostas de parlamentos ou governos, dependendo da matiz ideológica que os fundamentem.

Lembremos, por oportuno, que a própria Filosofia Espírita nasceu num ambiente extremamente politizado da França (Século XIX). Os cidadãos franceses e europeus que foram se tornando espíritas, a partir da publicação de “O livro dos Espíritos”, passando a participar de associações (grupos pequenos, como recomendou Kardec), não abandonaram suas participações e lutas em outros ambientes sociais. Pelo contrário, passaram a atuar com mais vigor – diante da forte repressão de governos de Estados totalitários – com uma ferramenta nova, haurida nos livros e nas vivências espiritistas: a bandeira da fraternidade, solidariedade e caridade.

Tinham, pois, uma ideia totalmente distante da prática vigente em organizações espíritas, desde o início do século XX até os dias atuais, de que “Espiritismo e Política se ojerizam ou se antagonizam”. Confunde-se, não raro, atitude e postura política (que tem a ver com a atitude consciente de valoração de situações e projetos sociais ou governamentais), com a vinculação/apoio a partidos políticos ou candidatos. Se o voto é um direito (e um dever) de todo cidadão (inclusive porque, no sistema político-eleitoral vigente no Brasil, é obrigatória a participação em eleições), a participação política do espírita não deve estar vinculada ao sufrágio secreto na urna eletrônica (e há, até, os que insistem em macular até mesmo esta forma segura de compilação de preferências eleitorais!). Ela deve, enquanto dever espírita, se materializar no engajamento às questões sociais, na participação de entes coletivos, como conselhos de representação popular (municiais, estaduais e nacionais), a participação com voz e voto em assembleias populares, audiências públicas, plebiscitos e referendos, além, é claro, da mobilização para as resoluções de problemas locais, no bairro em que se reside, trabalha ou onde o grupo espírita se encontra situado.

Mas não é o que se vê. A imensa maioria dos espíritas “terceiriza” as questões políticas e político-governamentais ou político-sociais para outrem. Deixam, os espiritistas, que outros decidam sobre variados temas. Aí, quando determinado tema social vem à baila, e as mídias destacam a existência de “bancadas religiosas”, desta ou daquela conformação, representativas de crenças bem distantes dos pressupostos da Filosofia Espírita, há quem diga que estamos diante de “ditaduras de fé”. Não se trata, assim, da criação e da existência de uma bancada espírita, mas de pessoas que, em sendo conhecedoras de princípios e fundamentos espíritas, possam, principalmente nos parlamentos, apresentar contrapontos para evitar que, em algumas áreas que são disciplinadas por normas jurídicas, passemos a vivenciar verdadeiros retrocessos.

Outro ponto importante é retomar, entre os espíritas, além das linhas-mestras de Kardec (e suas trinta e duas obras), a proposição temática contida na obra de quatro dos maiores filósofos espíritas, León Denis (França), Herculano Pires (Brasil), Manuel Porteiro (Argentina) e Humberto Mariotti (Argentina), se debruçaram sobre a “questão socialista”. Estudaram Marx e Engels, o comunismo, o socialismo e o anarquismo (as três correntes que vicejaram naquele tempo, na Europa e, depois, em todo o orbe, das oito antes assinaladas). Criticaram construtivamente as ideias esposadas por aqueles dois pensadores alemães, afastando-se do viés UNICAMENTE MATERIALISTA, para apresentar-nos, a partir da base kardeciana (porque nesta estão os fundamentos principiológicos) um “SOCIALISMO ESPIRITUAL” (que pode receber a adjetivação espírita, SE e SOMENTE SE os espíritas entenderem que é essencial um projeto para transformar o planeta (como estabelece a premissa espírita da mudança de um plano de expiações e provas para um regenerativo): a tomada de consciência, na exata compreensão do amor individual e coletivo, buscando a justiça (social) em todas as coisas, despojando-se de orgulhos e egoísmos.

Para eles – e, também, para nós, espíritas de hoje – não há outro caminho possível para a maturação espiritual individual e coletiva dos Espíritos que encarnam na Terra, dentro da lei e do curso natural do progresso. Quando as Inteligências Invisíveis responderam, a partir do questionamento kardeciano, acerca da dicotomia entre seres humanos bons ou maus, elas alertaram para a necessidade de saída do nosso imobilismo social (timidez) para atuarmos com empenho e segurança (audácia – no sentido de coragem e iniciativa), mas não adotando a intriga, que visa a desunião e a desordem.

Se tivermos grupos espíritas com essa motivação, construindo ações efetivas de esclarecimento, amor mútuo, atuação social e educação de consciências, não temos dúvidas de que estaremos praticando o SOCIALISMO ESPIRITUAL (presente nas obras de Kardec, Denis, Pires, Porteiro e Mariotti). Grupos politizados, no sentido de atuar politicamente na transformação e no progresso das instituições sociais e, numa só palavra, empunhando pacificamente (mas não sem lutas de implementação) a bandeira do socialismo progressista (que, neste caso, será sinônimo natural do mencionado socialismo espiritual).

Neste sentido, a sinonímia entre entidades espíritas e agrupamentos religiosos, com um comportamento de distanciamento de temas e atitudes políticas, como se os espíritas estivessem esperando que as mudanças (progressivas) venham de outras pessoas e até dos desencarnados (Inteligências Invisíveis e Superiores), acaba sendo um destacado (e perigoso) óbice para que os indivíduos que acreditam na Filosofia Espírita “arregacem mangas” e participem de movimentos sociais e políticos. Porque o religiosismo, neste particular, leva os espíritas ao imobilismo. Lembrando Herculano Pires, preferimos não utilizar a expressão “movimento espírita”, porque este “movimento” em termos práticos contrasta com a própria expressão, porque ao invés de mover-se acaba ficando estagnado, como está, por muitas décadas, centrado em si mesmo. Herculano falava em “meio espírita” para simbolizar os distintos agrupamentos de espíritas relacionando-se uns com os outros e produzindo algo socialmente relevante, seja para a maturação das ideias espíritas seja para as transformações sociais.

Esse religiosismo espírita se afastou, portanto, e muito do sentido original do termo, que simbolizava o chamado HUMANISMO cristão, na crença e na práxis da doutrina cristã, dentro dos princípios da liberdade e do individualismo humano, representando, assim, em tese, a união entre princípios humanistas e cristãos. O termo, assim, acabou recepcionando uma tradução distinta, a partir do uso que os indivíduos e as instituições passaram a lhe dar, DENTRO de agrupamentos religiosos. Religiosismo, assim, abandonou o humanismo (justamente simbolizando o estudo de si mesmo para buscar o aperfeiçoamento espiritual, material e social), para se fixar, apenas e tão-somente, nas questões religiosas (ou de fé). Como esta fé é dogmática e litúrgica, de obediência cega aos cânones, mandamentos e sacramentos da(s) igreja(s), tal realidade resultou na “guerra” entre as religiões, no sentido de arrebatamento (e manutenção) dos seus crentes (fiéis).

É justamente neste ponto que a ideia espírita é antagônica e distante desse paradigma e dessa realidade e contexto. O Espiritismo não busca “fazer prosélitos”, isto é, amealhar seguidores (crentes), tornando-se uma ideologia religiosa superior às demais em termos de membros partícipes. Ele, do contrário, preconiza a liberdade de convicção, de crença e de expressão, fazendo como que, ao invés de cegamente se aceitar os princípios e as ideias espíritas, ocorra um processo natural e paulatino de autoconvencimento sobre a realidade espiritual-espírita, e sua aplicabilidade real nos mínimos atos e situações da existência humana.

É por isso que “doutrinar”, isto é, tentar e convencer pessoas sobre o que se acredita ser o Espiritismo (levando em conta que aquilo que as pessoas – dirigentes, expositores, palestrantes, escritores e formadores de opinião ou “influencers” – pensam, dizem e escrevem não passa de MERA OPINIÃO INDIVIDUAL, não podendo ser considerado, JAMAIS, como “teoria ou filosofia espírita”). Doutrinar é arrebanhar adeptos, arregimentar “fãs”, colecionar seguidores, que ficam presos à palavra de quem se expressa. E, por isso, como é um ser humano similar a cada um de nós quem está “doutrinando”, corre-se dois riscos principais: 1) estar-se diante dos personagens tratados por Yeshua em uma de suas prédicas (“cego guiando cegos ao precipício”); e/ou 2) a decepção natural em ver que o “ídolo” que pregava (doutrinava) é, de fato, um ser imperfeito e vulgar (no sentido do desconhecimento das realidades espirituais verdadeiras), muitas vezes até inferior àqueles que o seguiam.

Não acredito que este “modelo” esteja “com os dias contados”. Porque, parafraseando antiga propaganda de famosa marca de biscoito/bolacha, há público desejando tal proposta e se há tal proposta é porque há público interessado/cativo. O que é possível de ocorrer – aliás, já está ocorrendo, veja-se por exemplo a nossa proposta de entendimento do Espiritismo, a partir do portal (<www.comkardec.net.br>) – é a convivência daquele antigo e ultrapassado modelo com outro(s), mais arejados em termos de participação e vivência coletiva democrática, onde NÃO HÁ professores, líderes inquestionáveis, médiuns e dirigentes cultuados, nem sabichões (prontos a ter sempre “respostas espíritas” às indagações e necessidades humanas – até porque a Filosofia Espírita NÃO PODE ser confundida com seus intérpretes e protagonistas). Estes modelos, da mesma forma como o tradicional (“mainstream” espírita), também angariam interessados, valendo a mesma máxima que utilizamos acima: há grupos democráticos e progressistas falando de Espiritismo, porque há interessados nesta forma de discurso e trabalho prático, da mesma forma como, em havendo espíritas que “pensam diferente”, natural é que estes busquem grupos distintos do evangelismo, da doutrinação e do religiosismo cego.

Assim, vemos uma semelhança entre o religiosismo espírita (que é não-participativo socialmente, não disposto a conversar com outras expressões de fé ou crença, não motivado a trabalhar conjuntamente com outras religiões e filosofias na busca de alternativas para a solução de pequenos e grandes problemas existenciais e sociais da atualidade) e a aversão política de muitas pessoas. Vale lembrar o poema de Brecht sobre “não se importar”, em que a apatia generalizada fazem os bons (ou, pelo menos, candidatos a assim serem) serem governados pelos maus, logicamente sem a apressada noção que deriva da simplificação maniqueísta. Em que uns combatem os outros e se destroem, por questão de sobrevivência (física ou ideológica).

Em oposição a tudo isso, temos a Dialética e a Dialógica propostas pelo Espiritismo, a que nos impele a tudo observarmos, tudo debatermos e nos posicionarmos com firmeza, sendo agentes da Lei do Progresso, influenciando os demais copartícipes da atual quadrância temporal deste planeta.

É momento, pois, dos verdadeiros espíritas (como reconhecidamente veros homem de bem) serem os protagonistas da realização, neste orbe, do Socialismo Espiritual: o Socialismo Progressista dos Espíritas!

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Anexo:

É preciso agir

Bertold Brecht (1898-1956) 

 

Primeiro levaram os negros 

Mas não me importei com isso 

Eu não era negro 

 

Em seguida levaram alguns operários 

Mas não me importei com isso 

Eu também não era operário 

 

Depois prenderam os miseráveis 

Mas não me importei com isso 

Porque eu não sou miserável 

 

Depois agarraram uns desempregados 

Mas como tenho meu emprego 

Também não me importei 

 

Agora estão me levando 

Mas já é tarde. 

Como eu não me importei com ninguém 

Ninguém se importa comigo

Imagem de Gerd Altmann por Pixabay

Written by 

Postagem efetuada por membro do Conselho Editorial do ECK.

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